sábado, 5 de novembro de 2016

LUTO NA BANDA DESENHADA PORTUGUESA

Carlos Alberto Santos (1933-2016) Foto: Luca Pozza
Com muita tristeza fomos surpreendidos com a notícia do falecimento, a 1 de Novembro, do nosso grande artista Carlos Alberto.
De seu nome completo Carlos Alberto Ferreira dos Santos, nasceu em Lisboa a 18 de Julho de 1933. Pessoa ultra-afável e genial artista, dedicou-se sobretudo à Banda Desenhada e à sua magnífica e gloriosa Pintura. Para além disso, tinha pessoalmente duas grandes paixões: a Ópera e os gatos.
Com Carlos Rico, em 1991, durante o primeiro salão Moura BD
Foto: Pinto Moreira
Recebeu vários prémios, como o da Academia de Marinha, em 1991. Foi  homenageado nos salões-BD  da Sobreda (1991), Moura (1991), Leiria (1994), Viseu (1995) e Amadora (2005).
Produziu Banda Desenhada, ilustrações e capas para um sem número de publicações como: CamaradaTribuna
(vespertino de Lourenço Marques, Moçambique),
“Mundo de Aventuras“Colecção ÁguiaColecção AudáciaPisca-PiscaCadernos Sobreda BDAlmada BD FanzineMini-ÉpocaO Cuco/Diário do SulJornal do CutoZagor”, Mini-Histórias da Nossa HistóriaAlentejo Popular“O Louletano”, entre outras, tendo também sido publicado em Espanha.

Das inúmeras e belíssimas capas que criou, salientamos as da colecção Mundo de Aventuras”...

...a do álbum colectivo “Salúquia” editado, em 2009, pela Câmara Municipal de Moura (na que seria a sua última participação como capista numa publicação BD)...

...e as eróticas da revista “Zakarella”.
 

Para o Jornal do Cuto, elaborou também (sob o pseudónimo M. Gustavo) as belas separatas Quadros da História de Portugal”...

...e, numa actividade paralela, desde cedo, ilustrou várias colecções de cromos como História de Portugal (com mais de vinte edições!), Trajos Típicos de Todo o Mundo, História de Lisboa, Romeu e Julieta, Pedro Álvares Cabral, Camões, Bandeiras do Universo, A Conquista do Espaço, etc. 

Ilustrou textos de Raul Correia, para os Amigos do Livro, nas colecções A Vida de Jesus, Histórias do Avôzinho, Histórias de Todo o Mundo Contadas às Crianças e Lendas Portuguesas.

Na sua BD, contam-se, entre outras: “A História Maravilhosa de João dos Mares”...

...“Camões” (com texto de José de Oliveira Cosme), publicado a preto e branco no Mundo de Aventuras e reeditado num álbum a cores, anos mais tarde, pela Asa...


...“O Rei de Nápoles” (com argumento de Jorge Magalhães), o seu último trabalho na 9.ª Arte, no álbum colectivo “Contos das Ilhas” (ed. Asa), mais tarde reeditado, a preto e branco, no semanário “O Louletano...

...“O Infante Santo”...

...“O Santo Condestável”...

...“O Combate de Pembe”...

...“A Espada Nazarena”...

...“Ousadia Triunfante”...

...“Capitão Bravo”...

...“O Almirante das Naus da Índia”, com texto de Olga Alves...

...O Escudo do Sarraceno”, com texto de Hermínio Rodrigo...

...e, segundo Júlio Diniz e em oito fascículos, “Os Fidalgos da Casa Mourisca”.
Afastado há largos anos da BD, por motivos de saúde que lhe afectavam a visão, dedicou-se exclusivamente à Pintura, donde imensos e deslumbrantes quadros, muitos deles patentes em entidades culturais de Portugal e do estrangeiro.
Com a sua partida, ficou mais um vazio no panorama cultural português. 
Mestre Carlos Alberto deixa uma imensa e soberba obra, que perpetuará a sua memória entre as gerações futuras.
Que descanse em paz!


3 comentários:

  1. Não sabia. É uma grande perda para o nosso espólio cultural Luso.

    Bom homem, bom mestre. Está e estará sempre na minha memória.
    Carlos Amor

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro Amigo
      É na verdade muito triste que altos valores da nossa Cultura-BD estejam a deixar amargos vazios entre nós.
      Foram o Eduardo Teixeira Coelho, o Vítor Péon, o Fernando Bento, o Carlos Roque, o Fernandes Silva, o José Antunes e agora o Carlos Alberto! Fica a valorosa obra que deixaram e uma imensa saudade.
      Um abraço
      Luiz Beira

      Eliminar
    2. Não esquecer o António Martins, meu colega aquando colaboração na APR, onde aprendemos muito com o Carlos Alberto...

      Quanto ao Fernandes Silva, será o que com trabalhei na Telecine Moro em 1968?

      Eliminar